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terça-feira, 8 de agosto de 2017

OS “GUNDARES”


Excerto da obra "História Antiga e Moderna da Sempre Leal e Antiquíssima Villa de Amarante", editada em Londres, 1814, pp. 17 e 18:
“... nomearei em primeiro lugar D. Mem de Gundar, em que o Nobiliário do Conde D. Pedro principia o appelido desta família, e faz tronco da dos Mottas, o qual foi natural das Astúrias, veio com o Conde D. Henrique a Portugal, cavalleiro mui bom e honrado, casou com huma domna de Galliza, que havia nome D. Goda.


Nobiliário do Conde D. Pedro (Gundares)

D. Mem foi tronco, de Gundares, e Mottas, fundou o Mosteiro de Gundar de Monjas Bentas, o de Lufrey, e o de Santa Maria Magdalena de Gestaço, sendo a Abbadeça do de Gundar a Prelada de todos trez (...). 


Igreja do Mosteiro de Gondar - Amarante

Igreja Românica de Lufrei - Amarante
Jaz D. Mem de Gundar na Igreja de Tolloens.

Igreja do Mosteiro de Telões - Amarante


... foi sua bis, ou terceira neta D. Lopa, ou Loba Mendes, que fez a torre de Mormelheiro, e chamou na falta de successão seu sobrinho Fernão de Souza do Mogadouro, de quem descendem os Senhores de Gouvea, Condes do Redondo, Marquezes de Borba.

Paço de Dona Loba em Mormilheiro - Padronelo

Paço dos Condes do Redondo 

Senhores daquella torre, commendadores daqueles Mosteiros, de que seus ascendentes forão fundadores, e mais da freguesia de Carvalho de Rey que anda unida a commenda, e de muitas mais propriedades, quintas, e foros nestes Concelhos, e Província, algumas com o nome de Torre, e Paço, como são o da torre antiquíssima de Mormilheiro; do Paço da rua de Gouvea na embocadura da ponte desta villa; do Paço de S. Vicenso em Gestaço; do Solar dos Souzas em S. Fins do Torno, nas margens do rio Souza, &c.” (1)

(1)- P. F. de A. C. de M., “HISTÓRIA ANTIGA E MODERNA DA SEMPRE LEAL E ANTIQUÍSSIMA VILLA DE AMARANTE”, Londres, 1814, pp. 17 e 18.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

CONSTRUÇÃO DA EN 15 
(troço de Gondar)

Uma Portaria do Ministro das Obras Públicas, de Maio de 1862, determinava a construção da nova “Estrada Real”, ligando a cidade do Porto a Bragança. No troço compreendido entre Amarante e Vila Real, atravessando a Serra do Marão, essa nova via surgia como alternativa à “velha” Estrada Real que, de Amarante, seguia pela Feitoria, Costa Grande, Lufrei, Marancinho, Sanche e Aboadela, rumo a Vila Real.

EN 15 (Gondar - Amarante)

Nesse mesmo ano de 1862, deliberou a Câmara de Amarante oferecer para a feitura da nova estrada, a expropriação dos terrenos incultos tanto baldios como particulares cujos donos “declaravam que os cediam gratuitamente”. Foi, nesse sentido, nomeada uma Comissão para tratar das expropriações a fazer-se desde “Padronelo para cima…” (Sessão da Câmara de 15.5.1863).
Por sua vez, o Diretor das Obras Públicas do Distrito de Vila Real declarava, em 14 de Outubro de 1863, que se achavam adiantados os trabalhos do projecto do lanço da estrada, compreendido entre Padronelo e S. Vicenço, rogando à Câmara “se dignasse diser quaes os donativos que tencionava oferecer ao Governo para auxiliar a construção do dito lanço…”. (1) Em resposta, a Câmara deliberou “que se desse o donativo de seis centos mil reis para auxiliar a expropriação dos terrenos compreendidos no referido lanço…”, apesar de haver concorrido, como já se afirmou, com todos os terrenos baldios e maninhos indispensáveis, dentro dos limites do Concelho. (1)

Ponte de Larim (Gondar - Amarante)

Uma inscrição à entrada da ponte de Larim, sobre o rio Ovelha, assinala o ano de 1867, data em que foi concluído o alargamento do tabuleiro da ponte e, certamente, o da conclusão das obras da nova Estrada Real. Gondar passava a estar no coração das ligações rodoviárias do litoral para o interior transmontano.


(1)    – Cardoso, António, “Amarante em meados do séc. XIX: Obras Públicas, Arquitetura e Urbanismo”, in Actas do II Congresso Histórico de Amarante, vol. II, I Tomo, pp. 56-57.

quarta-feira, 19 de julho de 2017


"POLICROMIAS"


Em Gondar, 
a arte anda pelas ruas!


Moinhos do Salto (Gondar)


Porta  (Lugar das Chedas - Gondar)

Ponte e moinho da Casa do Ribeiro - Ovelhinha (Gondar)

Estendal em Ovelhinha - Gondar

Espigueiro (Vilela - Gondar)

Pintura mural (Igreja Românica de Gondar)

Soenga (Vila Seca - Gondar) - Foto de Mariana Sá


Uma ideia "Mem Gundar"
Recolha e selecção: Miguel Moreira





quinta-feira, 13 de julho de 2017

A MINHA ALEGRE CASINHA

Quem não se recorda da canção dos “Xutos” ?

“As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu.
Meu deus como é bom morar
Modesto primeiro andar
A contar vindo do céu”.

- Boa tarde, posso fotografar a sua varanda? Pergunto eu.
- Então não pode! Respondeu, prontamente e com um sorriso, o sr. Artur.

Casa rural (lugar das Chedas - Gondar)

Sempre que por ali passava, reparava na varanda e, pela sua beleza e rusticidade, apetecia-me fotografá-la. Desta vez, o seu inquilino encontrava-se debruçado sobre a rua.
- Suba, disse-me ele.
Notei que precisava de companhia e eu, sem hesitar, subi.



- Como se chama?
- Artur. Não viu o meu nome na porta?
Sim, o seu nome estava escrito na porta. “A-r t-u-r D-o-s A-n j-o-s”. Que beleza de caligrafia!



Estivemos ali, a cavaquear, cerca de uma hora. Uma conversa como há muito não tinha: com um homem simples, causticado pela vida, com tantas histórias para contar. Um homem agradecido: agradecido à JFG que lhe fez as obras na casa; ao “Bem Estar” que lhe fornece, diariamente, as refeições; aos amigos que lhe vão dando alguns bens de que já não necessitam (até um micro-ondas que ele não sabe bem para que serve e como funciona!).
Disse-me que, no dia seguinte, ia ao “Bem Estar” cortar o cabelo e fazer a barba. Também ia  tomar o seu banho quente. O prof. Toninho, por quem nutre uma incomensurável admiração, tinha-lhe dito que tinha de ir.



Despedímo-nos, e o sr Artur lá continuou na sua “alegre casinha”.
Prometi continuarmos a conversa. Assim o farei.
Há dias em que a vida tem mais encanto! Este foi um deles.

Miguel Moreira

sábado, 8 de julho de 2017

         
                                             ARCO-ÍRIS

O arco-íris, nome que provém da mitologia grega onde a deusa Íris exercia a função de arauto divino, é considerado, por muitos, um símbolo de bons augúrios, portador de boas notícias e acontecimentos felizes. 


Arco-Íris sobre Amarante (foto Miguel Moreira)

Hoje, a deusa, na sua tarefa de mensageira, brindou Amarante deixando, sobre a cidade, o seu rasto multicolor. 
Já que os homens não nos acodem que nos valham os deuses!


Texto e fotografia: Miguel Moreira

sábado, 27 de maio de 2017

PONTE DO RIO / OUTEIRINHO

Construída em granito, esta ponte, em arco de volta perfeita, é uma das mais bonitas da freguesia. Transpondo o rio Carneiro, no lugar do Rio, liga a estrada M 576, a partir de Vila-Seca, à estrada N 101, no lugar do Escondidinho. 


Ponte do Rio - Gondar

Outrora era ladeada por uma graciosa balaustrada em granito, de que foi espoliada nos anos 80, e substituída por um corrimão metálico a fim de possibilitar a passagem de veículos automóveis.

Lugares do Rio e Outeirinho - Gondar

O alargamento da via e da ponte, em particular, seria de todo desejável e, já agora, a recolocação da balaustrada, se é que ela ainda existe algures.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

BATALHA DO MARANCINHO (12 de Maio de 1809)

Foi há 208 anos que, após dez dias de saques, mortes e destruições (só em Ovelhinha fala-se em 35 mortos e muitas casas incendiadas), levadas a cabo pelos franceses em toda a margem esquerda do Tâmega, as forças portuguesas, comandas pelo brigadeiro Silveira, desencadearam um feroz ataque sobre as tropas napoleónicas que é descrito, desta forma, por Carlos Azeredo:

in "Invasão do Norte - 1809", de Carlos Azeredo, pág. 83

“Durante toda a manhã deste dia 12, o Brigadeiro Silveira esperou que, pelo itinerário de Mesão Frio e dos Padrões, avançassem as forças de Bacelar ou de Beresford, para caírem em conjunto sobre o inimigo em Moure.
Pela 1 hora da tarde, lançou Silveira um ataque orientado sobre três eixos: o da esquerda, procurando tornear pelo sul a posição do adversário, seguia a direcção geral de Ansiães ao Cavalinho e Palmazões; o do centro, comandado pelo seu irmão o Coronel António da Silveira, seguia a direcção geral de Ovelha, Marancinho e Forno da Telha; o do norte, ou da direita, comandado pelo próprio Silveira, seguia a direcção de Gavião, Alto da Mó e Lufrei.
Foi sobretudo a coluna do norte a que encontrou a resistência mais encarniçada do inimigo nas proximidades de Vila Chã, no vale do ribeiro do Marancinho de onde os franceses foram combatendo e retirando até ao Barreiro (...).
O local deste renhido combate ainda hoje é localmente conhecido pelo “Vale dos Franceses” e distinguiu-se aqui o Capitão de cavalaria, Francisco Teixeira Lobo, que com 80 praças carregou sobre uma força inimiga muito superior, a qual retirou após dura refrega.” (1)

Ovelhinha - Gondar (Ruínas da Invasão Francesa)
Ovelha do Marão (Aboadela) - vítima da ocupação e destruição pelos franceses

E sobre os destroços da batalha escreveu um autor da época:
“...  o inimigo teve tantos mortos e feridos que dali até Gateães se viram e observaram rastos de sangue; deixaram muitas espingardas; ... ficaram três cavalos mortos; e, no outro dia, em Gateães um montão de ossos de cadáveres queimados e se acharam, dizem, dúzias de sapatos com pés dentro ainda de alguns cadáveres queimados...”. (2)
Este combate foi decisivo para que os franceses abandonassem definitivamente Amarante, depois de terem causado tanta desgraça, mortes e destruições.

(1)- Azeredo, Carlos de, “Aqui Não Passaram!”, Civilização Editora, 2005, pág. 232.

(2)- P. F. De A. C. De M, “História Antiga e Moderna da Sempre Leal e Antiquíssima Villa de Amarante”, Edição do Autor, 1814, pág. 254.
Miguel Moreira