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domingo, 30 de agosto de 2015

SANTA MARIA DE GONDAR


Vinda da velha Igreja do Mosteiro, a atual Igreja Paroquial conserva, no seu retábulo-mor, a escultura de Santa Maria de Gondar, representando a Virgem sentada no trono e aleitando o Menino, conhecida pelos fiéis como “ Senhora da Cadeira”.
Objeto de grande devoção popular, quer na paróquia quer nas freguesias vizinhas, sobretudo por estar associada a Nossa Senhora do Leite, esta imagem reveste-se de um valor artístico e patrimonial que importa salientar.
Trata-se de uma escultura gótica (séc. XV), em calcário brando da área do Baixo Mondego, vulgarmente chamada “Pedra de Ançã”, policromada. A Virgem encontra-se sentada no trono, com o Menino sentado sobre o joelho esquerdo, amparado pela mão esquerda da Mãe, de costas voltadas para o crente, e aleitando-se. Veste trajo comprido, com manto colocado pelas costas, caindo à frente, em pregas densas e de belo efeito estético. A sua camisa encontra-se meio aberta, libertando o seio esquerdo onde o Menino se aleita. Na mão direita segura uma romã, fruto que anda usualmente associado à sua iconografia.

O trono onde a Virgem e o Menino estão sentados é uma cadeira fechada, de espaldar reto, que se eleva até à altura dos ombros da Senhora.
No lateral direito da cadeira (à esquerda, portanto, do observador) foi gravada uma inscrição que diz:
Pº  Aº MADO
FAZ’  CCCC
LXX  ANOS
Ou seja, “Pero Afonso mandou fazer (na Era de M) CCCC LXX Anos”.
Assim, esta imagem identifica claramente o seu doador, Pero Afonso, que foi o primeiro Pároco de Gondar, e a sua data, 1470.
Desta forma, para além do seu valor estético, esta imagem tem um valor acrescido: pertence ao reduzido grupo das imagens quatrocentistas que são portadoras de inscrições que identificam o seu doador e as datas com rigor. Se não tivesse outros aspectos dignos de nota, só por isso merecia que lhe reservasse uma atenção especial. Com esta identificação, a importância e o significado histórico desta imagem torna-se ainda maior.

Miguel Moreira

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

IGREJA PAROQUIAL DE GONDAR


Igreja Paroquial de Gondar (ala sul)

Igreja Paroquial de Gondar (fachada principal)

Capela-mor e altares colaterais

Altar de S. José e Nossa Senhora de Fátina

Altares de Nossa Sr.a das Graças e do Coração de Jesus

Batistério da Ig. Paroquial de Gondar

Cruzeiro de Gondar

A sua construção foi iniciada em Abril de 1903 e a inauguração realizou-se em Outubro de 1904. A localização, num extremo da paróquia, da Igreja do Mosteiro e as suas exíguas dimensões exigiam, desde há muito, a construção de um novo templo, maior e num local mais central. Aliás, já desde meados do século XVIII, a Capela de Santo Amaro, em Ovelhinha, era utilizada para as missas dominicais por ter uma melhor localização.
Segundo consta, o pároco de então, Pe. Manuel Gontão, não era homem de grande iniciativa, embora fosse ele quem ofereceu o terreno para a nova Igreja. Na realidade, o grande incentivador e dinamizador do empreendimento foi o Sr. Joaquim Narciso, da casa do Outeirinho. Foi ele que contactou as famílias mais abastadas da freguesia e diversas instituições com o objectivo de angariar os fundos necessários à construção da igreja. Os donativos e as despesas constam de um livro que o Sr. Arnaldo (herdeiro do Sr. Narciso) possuía e que, agora, se encontra nos arquivos da paróquia. Em valores da época, o custo total rondou os mil escudos. Deste montante, a maior parte veio do Estado, da Junta de Freguesia, das Senhoras da Casa do Ribeiro e das Confrarias do Santíssimo Sacramento e da Senhora do Rosário. O povo da freguesia pouco contribuiu, mas parece que esse contributo também não lhe foi pedido.
Como os recursos eram escassos, foi preciso recorrer a outras fontes. Assim, da velha Igreja do Mosteiro veio o retábulo em talha dourada do altar-mor, a valiosa imagem da padroeira, Santa Maria, em pedra de Ançã, do século XV, e os dois altares colaterais, o do Senhor Crucificado e o do Senhor dos Passos, cujas imagens já foram substituídas por outras; da Igreja de São Francisco, no Campo da Feira (Amarante) que estava a ser demolida para a construção do Quartel de Artilharia, vieram os dois altares laterais e respectivas imagens, muitas madeiras e as pirâmides e cruzes que encimam a Igreja.
De referir, também, que, no local, já existia uma capela de apoio ao cemitério, aliás designada como “Capela do Cemitério”, que foi aproveitada e corresponde à capela-mor da atual Igreja.
Pena foi que a nova Igreja continuasse a ser acanhada, que do terreno destinado à igreja fosse cedida uma parte para a ampliação do cemitério (construção do patamar mais elevado) encurtando, assim, o espaço do adro entre a igreja e o cemitério, e que a torre sineira ficasse demasiado baixa (a actual, mais elevada e com relógio, data da década de 60, do século passado).
Do conjunto das instalações paroquiais fazem também parte o cruzeiro, que data da fundação da Igreja, a residência paroquial, construída em 1937, e o Centro Paroquial, mandado construir pelo pároco de então, Pe. António Gonçalves Foz, na década de sessenta, do século passado.

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira (fotografia)


terça-feira, 25 de agosto de 2015

10 LOCAIS A NÃO PERDER EM GONDAR


1. Igreja Românica do Mosteiro de Gondar

Igreja do Mosteiro de Gondar
Integrada na Rota do Românico, esta Igreja, edificada no século XIII, conserva ainda a traça românica na sua quase totalidade, apesar das transformações que sofreu durante a Época Moderna.
Fez parte de um antigo Mosteiro de monjas bentas, fundado por Dom Mem Gundar e que remonta ao século XII.

2. Igreja Matriz de Gondar

Igreja Matriz de Gondar
Inaugurada em 1904, a atual Igreja Matriz, com uma localização mais central, veio substituir a Igreja românica, situada num extremo da paróquia.
De traçado muito simples e de uma só nave, o novo templo ostenta, no seu interior, peças de elevado valor artístico e cultural: um retábulo de estilo barroco (séc. XVII/XVIII) e uma belíssima escultura de Nossa Senhora, de estilo gótico (século XV).

3.  Aldeia de Ovelhinha

Aldeia de Ovelhinha
      Integrada na Rota das “Aldeias de Portugal”, Ovelhinha é de uma beleza invejável. Com o seu casario tradicional, a Casa Senhorial do Ribeiro, as suas capelas, as pequenas pontes sobre o rio Carneiro, os açudes e os moinhos de outrora, Ovelhinha é um desafio aos sentidos, um apelo à contemplação, um hino à natureza e ao homem que, aqui, tão harmoniosamente convivem.

4Aldeia de Vilela

Casa da Barroca - Vilela
      Vilela foi uma aldeia Senhorial. Com um passado que remonta à romanização, Vilela criou a sua própria identidade: uma casa solarenga que domina o lugar; O São João que é do povo e se festeja, religiosamente, todos os anos; o Calvário que foi de Cristo e, agora, é de todos.
Vilela, com as suas casas rústicas exemplarmente restauradas, as reminiscências de uma próspera comunidade agrícola, os velhos espigueiros empoleirados nos outeiros, é um lugar asseado, bonito de se ver. Não perca.

5.  Lugares do Rio e Outeirinho

Rio e Outeirinho - Gondar

Localizados frente a frente e separados apenas pelo rio Carneiro, estes dois lugares, outrora terra de oleiros e agricultores, preservam ainda o seu caráter genuinamente rural.
Percorra a pé os seus caminhos estreitos e sinuosos, observe as suas graciosas construções graníticas, pare sobre a pequena ponte e deixe-se embalar pelo som da água que corre célere por entre os seixos e, se for no verão, não deixe de se refrescar na sua praia fluvial ou, simplesmente, contemplar a natureza que, aqui, se mantém no seu estado mais puro.

6. Capela e Casa do Encontro (Vila Seca)

Casa de Vila Seca - Gondar
Propriedade da família Pascoaes, este conjunto arquitectónico de cariz marcadamente rural, merece, pela sua localização sobranceira ao rio Carneiro e pela beleza e harmonia das suas construções, uma visita demorada que não defraudará, certamente, as suas melhores espetativas.

7. Capela de Nossa Senhora do Carmo (Ovelhinha)

Capela de Nossa Senhora do Carmo (Ovelhinha)
Propriedade da Casa do Ribeiro, esta Capela é uma pequena jóia do património artístico e cultural de Gondar. Embora a necessitar de trabalhos de restauro da sua talha, o retábulo do altar de Nossa Senhora do Carmo é uma preciosidade do barroco (século XVIII). De salientar também os dois anjos tocheiros, de estilo barroco, e o púlpito com uma expressiva decoração com flores e folhas de acanto.

8.  Museu Rural do Marão (Vila Seca)

Museu Rural (foto de J. F. de Gondar)

Inaugurado em 2009, este Museu, nas instalações de um antigo Engenho de Azeite que aqui funcionava e se mantém em bom estado de conservação, tem patente ao público uma vasta colecção de alfaias agrícolas, utensílios de cozinha, teares, diversas peças de olaria de barro preto e muitos outros utensílios do dia-a-dia da comunidade local.

9.  Larim e a sua Praia Fluvial

Larim - Gondar

Larim, através da sua ponte tricentenária, é a porta de entrada em Gondar. Possui uma bela praia fluvial, um aprazível parque de merendas, uma piscina (privada), cafés, restaurantes e tabernas. Enfim, tudo o que é necessário para uma visita, em família ou com amigos, que, certamente, registará no seu álbum de memórias.

10. Lagares rupestres de Aldeia e Tapado

Lagar rupestre do Tapado - Gondar
São, porventura, as construções mais antigas da freguesia. São a evidência de que a cultura da vinha e do vinho remontam aos primórdios desta comunidade que, hoje, produz dos melhores vinhos da região.
Visite estes lagares, procure compreender o seu funcionamento e, se apreciar, não deixe de degustar os bons vinhos da região numa das muitas tabernas da freguesia.

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira e Miguel Moreira (fotografia)



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O RETÁBULO-MOR DA IGREJA DE GONDAR

um belo exemplar do barroco nacional

Igreja Matriz de Gondar

Retábulo-mor da Igreja de Gondar

Pormenor do retábulo (colunas e trono)

Pormenor do retábulo (decoração dos arcos)

Pormenor do retábulo (Sacrário)


Transferido da Igreja do Mosteiro de Gondar para a nova Igreja Matriz, aquando da sua construção (1903/04,) este retábulo, em talha dourada, data, pelas suas caraterísticas, dos finais do séc. XVII ou princípios do séc. XVIII, e integra-se no designado Barroco Nacional.
Nesta estrutura retabular destaca-se um par de colunas de cada lado, sendo que as dos extremos são pseudo-salomónicas (o terço inferior da coluna não se encontra estriado) e as interiores de fuste espiralado. Os capitéis são coríntios, decorados com folhas de acanto, e suportam o entablamento que serve de apoio a dois arcos concêntricos de volta perfeita, numa clara alusão à abóbada celeste.
No centro, destaca-se a tribuna com o seu trono piramidal composto por quatro níveis escalonados e encimado pelo tabernáculo destinado à exposição do Santíssimo Sacramento.
Entre cada par de colunas, um nicho com a respectiva mísula e as imagens de Santa Maria de Gondar, do lado do Evangelho, e de Santo António, do lado da Epístola.
A decoração é a caraterística do Barroco Nacional: parras e cachos de uvas (simbolizando a Eucaristia), folhas de acanto (simbolizando a imortalidade), aves depenicando uvas, meninos alegóricos (“putti”), anjos alados (serafins), flores e frutos.
De salientar, também, de cada lado do Sacrário, profusamente decorado, duas aves (Fénix, símbolo da Ressurreição e da Eternidade).
Este retábulo, conjuntamente com a imagem de Nossa Senhora (séc. XV), é, sem dúvida, o elemento de maior valor e estima da Igreja de Santa Maria de Gondar.

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira (fofografia)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A CASA DE VILA SECA

Gondar e a Família Pascoaes

A casa de Vila Seca pertenceu a Álvaro Pereira Teixeira de Vasconcelos, irmão do poeta Teixeira de Pascoaes. Herdou esta casa com a morte do pai, o Conselheiro João Pereira Teixeira de Vasconcelos, Senhor da Casa de Pascoaes.

Casa de Vila Seca

Maria José Teixeira de Vasconcelos, sobrinha do Dr. Álvaro, descreve-nos, desta forma, a Casa de Vila Seca:
“A casa era pequena, mas tinha muito encanto e debruçava-se sobre uma eira enorme.
O Tio Álvaro herdou a casa de Vila Seca, onde passou longas temporadas porque ali existiu um lagar de azeite que estava a seu cargo.
O Tio Álvaro fez grandes obras, construiu uma varanda sobre a eira, ao longo da ala, que dava entrada para o seu quarto. Fez um escritório, uma boa casa de banho, cozinha e vários novos quartos e arrumos. A casa, sem perder o seu encanto, ficou verdadeiramente confortável.
Ao fundo de um campo que meu Tio transformou em vinha, ergueu-se a Capela da Casa.
O Tio Álvaro tinha muitos amigos de Lisboa que vinham passar com ele longas temporadas. Os mais assíduos eram o brigadeiro Gaspar Sá Carneiro e a mulher Beatriz que traziam o sobrinho Francisco Sá Carneiro, de trágico destino, e que teria então uns 10 anos de idade.
À entrada da Casa de Vila Seca, havia uma lindíssima ramada rodeada por enormes e centenários sobreiros” (1).

E elogia, desta forma, o seu tio Álvaro:
“O irmão mais novo do poeta era um gentleman. O único janota da família. Jogava o bridge e o bluff e tinha muitos e bons amigos. Era formado em Direito pela Universidade de Coimbra, mas nunca exerceu a advocacia.
Era um bonito rapaz e extraordinariamente simpático.
Tinha o sentido do humor e era muito bondoso. (…)
Nunca vi o Tio Álvaro zangado. Era de tal maneira bondoso que me apetece chamar-lhe o Infante Santo desta ínclita geração.
Depois da morte do irmão Joaquim, foi viver para a sua casa de Vila Seca, onde morreu com 81 anos”. (2)

Casa de Vila Seca (fachada virada a nascente)
De referir, ainda, que se deve ao Sr. Dr. Álvaro a descoberta da Necrópole Romana de Tubirei, alguns trabalhos de pesquisa nesse local e a preservação de todo o espólio aí encontrado.

(1) - Amaral, Luís Coutinho, Contributos para o Estudo da História de Amarante/Gondar, Museu Municipal de Amarante, 2009.
(2) - Vasconcelos, Maria José Teixeira de, Na Sombra de Pascoaes, VEGA, 1993.


Capela de Nossa Senhora das Dores

A Capela da Casa, cujo orago é Nossa Senhora das Dores, já existia em 1826,aquando da aquisição da propriedade. Pelas suas caraterísticas parece datar do século XVIII. 
A designação da quinta como "Quinta do Encontro" refere-se ao encontro de Nossa Senhora 
com o seu filho Jesus, no seu caminho para o Calvário - uma das sete dores de Nossa Senhora. É provável que na Semana Santa se realizasse uma procissão relativa a esse episódio. Esta procissão do "Encontro" ainda se realiza em várias localidades do país.

Dr. Álvaro Pereira Teixeira de Vasconcelos

Biografia:

Álvaro Pereira Teixeira de Vasconcelos

Nasceu na Casa de Pascoaes, a 20 de Setembro de 1884. Após a conclusão dos estudos liceais, frequentou a Universidade de Coimbra onde se licenciou em Direito, mas nunca exerceu a advocacia.

Tinha muitos amigos, com quem se reunia na sua “Casa de Vila Seca”, na Confeitaria Mário, em Amarante, onde se juntava com o seu irmão Senhor João Pereira, e, em Lisboa, onde passava os Invernos.

Gostava muito de acompanhar o funcionamento do seu Lagar de azeite em Vila Seca, onde passava horas a conversar com os engenheiros (trabalhadores do engenho) e com os seus fregueses, a maioria pessoas de Gondar.

Faleceu na casa de Vila Seca, em 28 de Março de 1964, tendo sido sepultado no jazigo de família, no cemitério de Gatão.

Miguel Moreira






terça-feira, 18 de agosto de 2015

LAGARES RUPESTRES EM GONDAR

Um bom exemplo de preservação do património, este dos lagares rupestres de Aldeia e do Tapado, em Gondar: limpos, devidamente protegidos por uma vedação e com sinalética adequada.
Trata-se de dois lagares localizados muito próximo da igreja do Mosteiro, um em Aldeia e outro no lugar do Tapado. São lagares escavados na rocha, em afloramentos graníticos, destinados à fabricação de vinho. 

Lagar de Aldeia - Gondar
O de Aldeia é constituído por um tanque retangular (em latim “calcatorium”), localizado na parte mais alta da rocha e destinado à pisa das uvas. Este tanque comunica através de um canal com um pio (em latim “lacus”) localizado a uma cota inferior para recolha do mosto. Ao lado do tanque superior existe uma estrutura circular, menos profunda, onde se instalava a prensa (“stipites” em latim). Esta estrutura comunica, através de uma ranhura, com o canal de escoamento para o pio. Estamos, portanto, perante uma técnica de fabrico de vinho de “bica aberta”. À volta do conjunto existem vários entalhes na rocha que se destinavam a estruturas de suporte da cobertura ou alpendre.

Lagar do Tapado - Gondar
O lagar do Tapado, ou da Saída, tinha a mesma função que o de Aldeia, o fabrico de vinho. É do mesmo tipo quanto à sua forma, mas distingue-se do primeiro porque tem tudo em duplicado: dois tanques de pisa, duas pias ou lagaretas de recolha do mosto e duas estruturas de instalação da prensa, uma de cada lado dos tanques de pisa. Estamos, portanto, perante dois lagares contíguos que podiam, por isso, funcionar em simultâneo. Propriedade de um mesmo senhor ou de dois? Uma incógnita.
Em Amarante, existem estruturas deste tipo em Vila Chã e Vila Caiz e são comuns em todo o norte e centro do país.

Entalhe de fixação da prensa (lagar do Tapado)
Uma das grandes questões que se coloca a este tipo de estruturas é o da sua datação. A falta de contextos arqueológicos que possibilite a obtenção de mais informação para o estudo da forma de funcionamento e cronologias destas estruturas rupestres, aliada à escassa informação documental são as principais limitações para a sustentação de propostas cronológicas e funcionais.
Desde logo se destaca o facto de não terem sido identificados quaisquer vestígios arqueológicos datáveis da época romana que pudessem, eventualmente, estar associados a estes lagares. No entanto, a proximidade de uma via romana e a existência de algumas necrópoles romanas na região (Ataúdes, Madalena) são razões para não descartar esta hipótese. Por outro lado, a existência de um mosteiro nas proximidades e do Paço de Mem Gundar que controlavam grande parte da propriedade fundiária da região, podem levar-nos a situar estes equipamentos já na época medieval, ou seja, pelos séculos XII/XIII. Com efeito, só após a reconquista cristã começaram a existir condições para uma agricultura mais estável, condição principal para a dedicação constante que uma vinha exigia. A designação popular de “lagar dos Mouros” não tem grande fundamente, já que é vulgar designar “dos mouros” tudo o que é antigo, obscuro, e de difícil datação.
Em suma, lidamos com uma área parca em documentação e que nos permite mais a colocação de hipóteses do que a afirmação de conclusões definitivas.

Miguel Moreira



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

OVELHINHA (GONDAR) 
a aldeia romântica

Aldeia de Ovelhinha - Gondar

Panorâmica de Ovelhinha - Gondar

Casa do Ribeiro (Ovelhinha - Gondar)

Trecho do Rio Carneiro (Ovelhinha - Gondar)

Moinho (Ovelhinha - Gondar)
Classificada como “Aldeia de Portugal”, Ovelhinha possui todos os ingredientes capazes de surpreender qualquer visitante.
Esta pitoresca aldeia, nas margens do rio Fornelo que aqui nos patenteia recantos de rara beleza, conserva um património natural e arquitetónico admirável. Carregado de história e de estórias, este lugar, onde predomina o granito e o verde, convida o visitante a calcorrear as suas ruas e vielas e a demorar-se na observação da rusticidade e tipicismo das suas construções, a elegância das casas senhoriais, a beleza das suas capelas, o bucolismo do seu rio com as suas pontes, os açudes e os moinhos de outrora.
Ovelhinha é, por tudo isso, um desafio aos sentidos, um apelo à contemplação, um hino à natureza e ao homem que, aqui, tão harmoniosamente com ela convive.

Nota: voltaremos a este lugar para falar, entre outras coisas, do “pão de Ovelhinha”, das capelas da S.ª do Carmo e de S.to Amaro, da crueldade das tropas napoleónicas que incendiaram o lugar, da criação da “Ordem do Amaranto” pela rainha Cristina da Suécia, da “Casa senhorial do Ribeiro”.

Miguel Moreira

sábado, 15 de agosto de 2015

Ponte de Larim

A ponte de Larim está prestes a comemorar 400 anos.

Ponte de Larim (vista de jusante)

Cronologia:

1630 - É referida a necessidade de construir uma ponte de pedra sobre o rio de Larim, no concelho de Gestaço, na Chancelaria Régia de Filipe III;
1630 – Início da construção da ponte pelo Mestre João Lopes de Amorim;
1758 - A ponte é referida nas “Memórias Paroquiais”, por António Coelho Pedrosa, como sendo “uma ponte de pedra com quatro arcos, com um tiro de mosquete de comprimento, da parte superior com três cortamuros e na inferior três baluartes”;
1867 - Adaptação do tabuleiro a estrada real n.º 33;
2009 - Obras de consolidação e alargamento do tabuleiro.

Ponte de Larim (Gondar)

Descrição da ponte:

Ponte de granito em aparelho isódomo terminado em friso, sobre o qual assenta o tabuleiro horizontal, projetado para o exterior.
Possui quatro arcos de volta perfeita, iguais, com aduelas estreitas e compridas de formato regular. Os arcos são sustentados por pilares, estando os dos extremos assentes nas margens. Os pilares centrais são protegidos por talhamares a montante e por talhantes, superiormente escalonados, a jusante.
Guardas em gradeamento de ferro, apresentando nos encontros quatro pedestais encimados por plinto galbado e elemento ovóide. Um dos pedestais apresenta na face frontal uma inscrição moldurada “OP 1867” (data da adaptação do tabuleiro a estrada real).

Mestre pedreiro: João Lopes de Amorim (1630).

Inscrição num dos pedestais da ponte (O.P. 1867)

Nota: a ponte de Fundo de Rua, sobre o rio Ovelha, em Aboadela, se tivermos em conta a data (1630) epigrafada na base do cruzeiro à entrada da ponte, foi construída na mesma data da de Larim. Todavia, pode tratar-se apenas de uma reconstrução de outra já existente no local.
Filipe III, à data rei de Portugal, foi um monarca que favoreceu a edificação de pontes e estradas, numa época particularmente conflituosa, mas também ávida de comunicações e trocas comerciais.

Ponte de Fundo de Rua - Aboadela

Miguel Moreira

LARIM
sala de visitas de Gondar

Na confluência dos rios Ovelha e Carneiro e das vias rodoviárias que ligam Amarante à Régua e a Vila-Real, Larim foi, sem dúvida, a localidade de Gondar que, nas últimas décadas, mais se desenvolveu.

Panorâmica de Larim - Gondar

O seu parque industrial, cafés, restaurantes, tabernas e uma área de lazer com praia fluvial, piscina, parque infantil, e um grande espaço polivalente, fazem de Larim o local, por excelência, para encontros de família e de grupos oriundos do concelho ou de regiões mais distantes. Nos meses de verão, com a chegada de emigrantes, o bulício aumenta e os espaços tornam-se exíguos para acolher os forasteiros.

Ponte de Larim - Gondar

Este lugar, antes designado de Vau, porque a travessia do rio se fazia “a vau” (sítio pouco profundo de um rio, por onde se pode passar a pé) começou a crescer sobretudo após a construção da sua ponte, em 1630. Mais tarde, em 1867, o tabuleiro é alargado e a via transformada em “Estrada Real”, ligando as cidades do Porto e Vila-Real. Ainda mais recentemente, para possibilitar o cruzamento de veículos, o tabuleiro é objecto de novo alargamento e obras de consolidação.

Larim - Gondar

Nos últimos anos, Larim transformou-se num aglomerado urbano de considerável dimensão, com modernas moradias, infra-estruturas e razoáveis acessibilidades. Todavia, um crescimento urbano desmesurado pode criar um certo caos urbanístico e descaracterizar a região. Os autarcas estarão atentos, assim o esperamos.

Larim - Gondar

Nota: Desconhecemos a origem do topónimo “Larim”. Os dicionários apontam-nos três significados: antiga moeda da Índia Portuguesa; árvore espinhosa dos países orientais; habitante de Lara, cidade persa. É difícil concluir!

Miguel Moreira