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quinta-feira, 28 de abril de 2016

OLEIROS DE SANTA MARIA DE GONDAR

Estamos perante um dos mais antigos documentos retratados, conhecidos até à data, sobre a arte da olaria em Gondar. Trata-se de um Bilhete Postal, a partir de uma fotografia de A. T. Carneiro, com cerca de um século. No verso pode lêr-se: “Amarante (Portugal) – Olaria Grossa – Aldeia dos Paneleiros – Ferreira de Gondar”. “Photographia de A. T. Carneiro (n.º 29) – Amarante”. A data do carimbo dos Correios é de 15/5/1920.


Oleiros de Santa Maria de Gondar

A família aqui retratada fazia da olaria a sua principal ocupação e, como podemos constatar, desde muito novos os filhos do sexo masculino eram iniciados na actividade. A imagem permite-nos, além disso, concluir sobre a tipologia de algumas das peças então produzidas, bem como sobre o tipo de roda de oleiro utilizada: baixa e movimentada com as mãos.
Nota: Tentarei identificar a família aqui representada, já que não tenho dúvidas quanto ao local onde a fotografia foi tirada: trata-se da “casa da figueira”, no lugar do Outeirinho. A figueira já não existe e sobre o telhado que se vê na imagem foi construída uma habitação. Ao fundo, na imagem, conseguimos ainda identificar algumas habitações do lugar do Rio.

Miguel Moreira

sábado, 23 de abril de 2016

A FEIRA DO CAVALINHO

Estamos em Abril e era em Abril que, no Cavalinho, para além das habituais feiras a 12 e 28 de cada mês, se realizava, no dia 29, a feira franca anual conhecida por “Feira dos Burros”. Nesta, em vez do gado bovino e suíno, os “reis da festa” eram o gado cavalar e o muar. A tradicional “corrida dos burros”, muito concorrida, era a grande atração, para gáudio e divertimento dos feirantes e da populaça. O vinho verde da região, servido nas tradicionais canecas de porcelana e acompanhado por um naco de anho assado ou pelo biscoito da Teixeira, ajudava a animar a festa.


Feira do Cavalinho (Anos 50) - Foto de Eduardo Teixeira Pinto
Feira do Cavalinho - Gondar (Fotografia de Eduardo Teixeira Pinto)

As fotos que apresentamos, da autoria do fotógrafo amarantino Eduardo Teixeira Pinto, datam dos anos 50 e 60, do séc. XX, e ilustram bem a afluência que a feira tinha nos seus tempos áureos.
A propósito, transcrevemos da página da JFG o texto seguinte:
"A Feira do Cavalinho, em Gondar, tem raízes ancestrais e a sua fundação está relativamente bem documentada.
Os registos que dela persistem datam da época das Invasões Francesas e atestam que se realizava no dia 12 de cada mês pelo facto de no lugar de Ovelhinha existir uma outra feira que se realizava mensalmente no dia 17.
No entanto, no reinado de D. Maria II, por imposição régia, a Feira do Cavalinho teria que ser mudada para a cidade de Amarante pelo que a Rainha mandou as tropas necessárias para que o seu mandato fosse seguido. Contudo, a população reagiu e opôs-se a tal decisão bloqueando todas as passagens possíveis a fim de impedir que a feira fosse deslocada. Tal intento foi conseguido dado que a Feira que acabou por ser transferida foi a que se realizava no lugar de Ovelhinha. Perante esta situação um fidalgo conhecido por “Alexandre Velho” solicitou à Monarca que esta concedesse mais um dia de feira, presentemente o dia 28 de cada mês.
A Feira do Cavalinho é bastante conhecida, pois a ela acorrem muitas pessoas que não são locais, especialmente agricultores e negociantes de gado. Esta afluência aumenta em determinadas épocas do ano, nomeadamente pelo S. Miguel, pelo Santo André e pelo Carnaval e prende-se com o facto de, nestas alturas, existirem maior número de produtos ligados à agricultura para comercializar. Predomina o comércio de gado especialmente bovino e suíno mas, também se comercializam utensílios agrícolas e legumes para plantar, confecções, pão regional, peixe e o famoso Biscoito da Teixeira."


Miguel Moreira
Fotografia de Eduardo Teixeira Pinto

segunda-feira, 11 de abril de 2016

CAPELAS E ORAGOS DE GONDAR

Em 1758, segundo as “Memórias Paroquiais”, existiam, em Gondar, cinco capelas:
“Tem esta Freguesia sinco capellas, huma da Freguesia que ademenistra o Excelentíssimo Conde de Redondo como Comendador e senhor dos frutos desta comenda, cujo orago hé Santo Amaro, em cujo dia acorrem a sua capella muntos devotos das vizinhanças com suas esmolinhas.
No lugar de Ovelhinha tem huma capella munto moderna feita a expensas do Doutor Manuel Pereira Valente, natural desta Freguesia e assistente na cidade do Porto pella sua grande Literatura …


Capela de Nossa Senhora do Carmo (Ovelhinha - Gondar)

Tem outra no lugar da Salida com  invocaçom do senhor Santo António que mandou eregir o Padre  Gonçallo Nunes Pereira Valente, vigário de Sam Martinho de Carvalho de Rei.


Capela de Santo António (Casa da Saída - Gondar)

No lugar de Vilella há duas capellas, huma a mais antiga seu orago Sam João Baptista de que hé administradora Brisida Pereira e seus filhos (…). A outra de Sam João Crisóstimo que há poucos annos  mandou eregir o Padre João Pereira Sobrinho.” (1)


Capela de S. João Baptista (Vilela - Gondar)

Quatro destas capelas (S.to Amaro, S.ra do Carmo, Santo António e S. João Batista) conservam-se; a de São João Crisóstomo, em Vilela, foi dessacralizada; e, entretanto, construiu-se a de Nossa Senhora das Dores, na Quinta do Encontro, em Vila Seca.

(1)- P.e António Coelho Pedroza in “Memórias Paroquiais de Gondar”, 1758.


Miguel Moreira (texto e fotografia)

sexta-feira, 8 de abril de 2016

RIO CARNEIRO NA “PONTE DA PASSAGEM”

É dos trechos mais bonitos do rio Carneiro. Já perto da partilha com Bustelo, a “ponte da passagem” é, porventura, uma das mais antigas de Gondar. Para além de permitir o acesso aos férteis campos que ladeiam o rio, esta ponte serviria, também, de ligação aos lugares da Reboreda, Pardinhas e Travanca do Monte.


"Ponte da Passagem" - Gondar

Rio Carneiro - Gondar

A propósito, transcrevo um documento, de meados do séc. XVIII, que se refere a este rio como “ribeira da Reboreda”:
“Tem este rio (Ovelha) para sul huma ribeira maior, cujo nome toma de hum bosque chamado A Reboreda. Corre esta do nascente para poente; tem a sua urigem nos padrões da Teixeira e logo corre apressada pellos despinhados montes por donde passa” (1).
(1)-In “Memórias Paroquiais de Gondar”, 1758.