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sexta-feira, 27 de maio de 2016

VARANDAS DA ALDEIA

A varanda era um dos espaços mais característicos das casas agrícolas da aldeia. Há-as de vários tipos. A que aqui apresentamos, em Ovelhinha, situa-se ao nível do 1.º andar e é acedida, pelo exterior, através de escaleiras em granito. Do pátio ao cimo das escaleiras entra-se na cozinha e, também, na varanda que dá acesso à sala.


Casa rural (Ovelhinha - Gondar)
Casa rural (Ovelhinha - Gondar)

Construída em madeira e com um desenho muito singular, a varanda, não era um simples espaço de transição entre ambientes - passagem do exterior para o interior. Ela tinha muitas outras funções: era lá que se recebiam as visitas, era de lá que se observava a vida da aldeia, se apanhava o sol nos dias menos quentes, se serandava no verão, e, ainda, se secavam algumas sementes e alimentos, a roupa em dias chuvosos, se penduravam as capas e os chapéus e, até, se namorava.
Como local nobre da casa, a varanda era embelezada com vasos de flores que as “donas de casa” cuidavam com todo o brio.
Poucas resistiram aos novos gostos e modas. Ficaram as memórias e a nostalgia de quem passou muito do seu tempo nestes espaços únicos que fizeram a delícia de muitos de nós nas nossas brincadeiras de criança.
Miguel Moreira (texto e fotografia)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

RIO CARNEIRO EM OVELHINHA

Rio Carneiro (Ovelhinha - Gondar)

OVELHINHA

Ovelhinha do meu encanto
“Aldeia de Portugal”
Tens história em cada recanto
Um passado imortal.

Aos franceses resististe
Numa peleja infernal
Deixando teu nome gravado
Nos anais de Portugal


Orgulhas-te do teu passado
Do teu presente também
Quem te visita sente-se amado
Quem te deixa saudades tem.

Miguel Moreira

sábado, 21 de maio de 2016

RIO E OUTEIRINHO 
- Gondar Profundo -


Localizados frente a frente e separados apenas pelo rio Carneiro, estes dois lugares, outrora terra de oleiros e agricultores, preservam ainda o seu carácter genuinamente rural.


Lugar do Rio - Gondar
Lugar do Outeirinho - Gondar

Percorra a pé os seus caminhos estreitos e sinuosos, observe as suas graciosas construções graníticas, pare sobre a pequena ponte e deixe-se embalar pelo som da água que corre célere por entre os seixos e, se for no verão, não deixe de se refrescar na praia fluvial da "levada nova" ou, simplesmente, contemplar a natureza que, aqui, se conserva no seu estado mais puro.



Miguel Moreira (texto e fotografia)

segunda-feira, 9 de maio de 2016

OVELHINHA E A II INVASÃO FRANCESA


Foi em Maio de 1809. Ovelhinha viveu os piores dias da sua existência: casas incendiadas, os haveres pilhados e a população barbaramente martirizada. Um autor fala em trinta e cinco mortos: “Quando passei na freguesia de Santa Maria de Gondar, que chorava ainda a tirana morte de trinta e cinco dos seus habitantes...” e, continua... “Ovelhinha foi reduzida a cinzas. Real foi tratada semelhantemente”. (1)


Ovelhinha - Gondar (Ruínas da II Invasão Francesa)

A 2 de Maio, e após catorze dias de resistência das forças portuguesas comandadas pelo general Silveira, as tropas de Napoleão conseguiram passar a ponte de São Gonçalo, em Amarante. Depois,  a fim de garantir uma possível retirada do exército francês para Espanha através das Beiras, tentam controlar toda a margem esquerda do Tâmega, nomeadamente a estratégica estrada pombalina que, pelo Cavalinho, conduzia a Mesão Frio e à Régua. É neste contexto que as tropas francesas, comandadas pelo sanguinário Loison, conhecido por “Maneta”, aterrorizam as populações, atacando-as, incendiando as suas casas e pilhando os seus haveres. Palmazões, Real, Cabanas, Reboreda, Carneiro, Ovelha do Marão e Ovelhinha foram das aldeias mais sacrificadas.
Só a 12 de Maio, com a vitória das forças do general Silveira, na batalha do Marancinho, e a derrota e consequente retirada das tropas de Loison, as populações se viram livres do terror infligido pelos franceses.
Para trás, ficou, no entanto, um povo destroçado, com as habitações destruídas, os seus haveres pilhados e a chorar os seus mortos. Algumas casas de Ovelhinha, que não chegaram a ser reconstruídas, atestam, ainda hoje, essa onda de destruição e barbárie.
Miguel Moreira

(         (1)- Frei Tomás de Santa Teresa, “Viagem Sentimental à Província do Minho em Agosto e Setembro de 1809”, Lisboa, Impressão Régia, 1809.
Outras fontes:
- Azeredo, Carlos de, “Invasão do Norte 1809”, Tribuna da História, Lisboa, 2004.

- Azeredo, Carlos de, “Aqui Não Passaram”, Civilização Editora, Porto, 2006.