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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

PINTURA EM VIOLA AMARANTINA ALUSIVA A GONDAR

Gondar inspira este expressivo trabalho de Joana Antunes, evidenciando a igreja do Mosteiro e S.ta Maria de Gondar (N.a Senhora do Leite), personificada na figura de mulher. Parabéns!






 Nota: "A Viola Amarantina é umas das várias violas regionais portuguesas que vão resistindo à evolução, mantendo praticamente inalterada a sua estrutura original.
É uma viola de 5 ordens de cordas duplas, as 3 primeiras afinadas em uníssono e as restantes em oitavas. A escala é plana e em face com o tampo, facilitando assim o “rasgado” e tem a particularidade de ter alguns meios pontos já sobre o tampo (além dos 10 da escala) apenas para as cordas mais agudas permitindo assim aumentar a amplitude.

Talvez pelo facto de a aprendizagem da Viola Amarantina se basear na tradição oral, esta foi sendo tratada (por deturpação) como uma Viola Braguesa no que diz respeito à afinação, contudo, assim não é. Constatamos que há neste momento um esforço significativo em preservar a identidade desta viola, recuperando e registando as diferentes afinações e modos de tocar.

A boca da Viola Amarantina, constituída por 2 corações separados, está associada a uma história de amor ao estilo de Romeu e Julieta, vivida na cidade de Amarante".
in portoguitarra.com

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

“CANTAR OS REIS” JÁ NÃO É O QUE ERA

O ciclo do Natal fecha-se, segundo a tradição católica, a 6 de Janeiro, com a celebração do “dia de Reis”.

"Adoração dos Reis Magos"

Integrada nesta celebração, em Gondar, como na maioria das terras vizinhas, era tradição “cantar os Reis”. Assim, no dia ou na véspera de Reis, pela noite fora, grupos de amigos juntavam-se e iam “cantar os reis”. Não de porta em porta, como hoje se faz, mas apenas a casas que, por alguma razão, o justificavam: familiares, amigos, pessoas “gratas” da terra... Eu, com um grupo de amigos, gostava de cantar os reis e fazia-o todos os anos. Não íamos a muitas casas (duas ou três, não mais, por dia). Em silêncio, juntávamo-nos em círculo à porta da cozinha ou da sala e entoávamos os versos que, muitas vezes no próprio dia, tínhamos ensaiado: duas ou três quadras relativas ao “Menino Jesus” e aos “Reis Magos”, um refrão (Boas Festas, Boas Festas / Cantamos com alegria / Em honra do Deus Menino / Filho da Virgem Maria), e, depois, uma quadra dedicada a cada membro da família.
Não pedíamos dinheiro, mas o “dono” da casa, em sinal de amizade e gratidão, mandava-nos entrar, alargava-se a roda à volta da lareira (e que bem nos sabia naquelas noites gélidas de Janeiro!), tirava do sarilho um ou dois salpicões que partia em finas rodelas, ia à adega e trazia algumas canecas de vinho novo e, enquanto saboreávamos o gostoso paio e o saboroso tinto que se bebia pela caneca que passava de mão em mão, passávamos algumas horas em alegre cavaqueira. Depois, vestidos os agasalhos, partíamos para o próximo presenteado. E lá iniciávamos, novamente, o canto:
"Aqui vimos, aqui estamos
Aqui vimos, bem sabeis
Vimos dar as Boas Festas
E também cantar os Reis".
Quando a noite já ia longa regressávamos a casa, pois, no dia seguinte, havia mais.
Esta tradição adulterou-se completamente. Hoje, cantam-se “Os Reis” ou “As Janeiras”, mas como forma de peditório. Os cantadores correm a maior parte das casas da aldeia com o objetivo de otimizar a receita. E o ritual não se limita ao dia de Reis, mas prolonga-se por todo o mês de Janeiro, daí a expressão “cantar os Reis” ter sido substituída por “cantar as Janeiras”, uma expressão com uma carga menos religiosa.
Compreendo as necessidades financeiras das Instituições, mas o verdadeiro “espírito de Reis” foi-se! É pena.Restam as memórias!

Miguel Moreira