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sexta-feira, 12 de maio de 2017

BATALHA DO MARANCINHO (12 de Maio de 1809)

Foi há 208 anos que, após dez dias de saques, mortes e destruições (só em Ovelhinha fala-se em 35 mortos e muitas casas incendiadas), levadas a cabo pelos franceses em toda a margem esquerda do Tâmega, as forças portuguesas, comandas pelo brigadeiro Silveira, desencadearam um feroz ataque sobre as tropas napoleónicas que é descrito, desta forma, por Carlos Azeredo:

in "Invasão do Norte - 1809", de Carlos Azeredo, pág. 83

“Durante toda a manhã deste dia 12, o Brigadeiro Silveira esperou que, pelo itinerário de Mesão Frio e dos Padrões, avançassem as forças de Bacelar ou de Beresford, para caírem em conjunto sobre o inimigo em Moure.
Pela 1 hora da tarde, lançou Silveira um ataque orientado sobre três eixos: o da esquerda, procurando tornear pelo sul a posição do adversário, seguia a direcção geral de Ansiães ao Cavalinho e Palmazões; o do centro, comandado pelo seu irmão o Coronel António da Silveira, seguia a direcção geral de Ovelha, Marancinho e Forno da Telha; o do norte, ou da direita, comandado pelo próprio Silveira, seguia a direcção de Gavião, Alto da Mó e Lufrei.
Foi sobretudo a coluna do norte a que encontrou a resistência mais encarniçada do inimigo nas proximidades de Vila Chã, no vale do ribeiro do Marancinho de onde os franceses foram combatendo e retirando até ao Barreiro (...).
O local deste renhido combate ainda hoje é localmente conhecido pelo “Vale dos Franceses” e distinguiu-se aqui o Capitão de cavalaria, Francisco Teixeira Lobo, que com 80 praças carregou sobre uma força inimiga muito superior, a qual retirou após dura refrega.” (1)

Ovelhinha - Gondar (Ruínas da Invasão Francesa)
Ovelha do Marão (Aboadela) - vítima da ocupação e destruição pelos franceses

E sobre os destroços da batalha escreveu um autor da época:
“...  o inimigo teve tantos mortos e feridos que dali até Gateães se viram e observaram rastos de sangue; deixaram muitas espingardas; ... ficaram três cavalos mortos; e, no outro dia, em Gateães um montão de ossos de cadáveres queimados e se acharam, dizem, dúzias de sapatos com pés dentro ainda de alguns cadáveres queimados...”. (2)
Este combate foi decisivo para que os franceses abandonassem definitivamente Amarante, depois de terem causado tanta desgraça, mortes e destruições.

(1)- Azeredo, Carlos de, “Aqui Não Passaram!”, Civilização Editora, 2005, pág. 232.

(2)- P. F. De A. C. De M, “História Antiga e Moderna da Sempre Leal e Antiquíssima Villa de Amarante”, Edição do Autor, 1814, pág. 254.
Miguel Moreira

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